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quarta-feira

Soho Takeda

Dia 04/12!é o aniversário da Soho Takeda (04/12/1914 - 01/10/2004)
Minha avó dedicou toda a sua vida a divulgar a Cerimônia do Chá e com este intuito viajou por todo o Brasil.
Vi as pessoas chamarem-na de Dona Nanci, porque não conseguiam falar Yoshie.
Vi ela pegar ônibus com dinheiro na mão para dar aulas porque o cobrador do ônibus não acreditava que ela tinha mais de 60 anos e não precisava pagar a condução.
Vi ela levar cinza para colocar dentro do kama, e carregar por mais de 1.000km em lugares que ela dava aulas de chá. Eu perguntei: “Por que você não usa qualquer areia, ninguém vai saber.” Ela respondeu: “Eu vou saber que a areia não é a apropriada.”
Vi ela ficar noites sem dormir para organizar os ochakai e naquela época não havia computador, até telefone era um sofrimento.
Quando recebi meu diploma depois de 20 anos estudando chá, ela me deu parabéns, mas disse que eu ainda não sabia nada. Eu disse: “Depois de 20 anos estudando chá, eu não sei nada?” Ela respondeu: “Não”. Eu perguntei “e você?” Ela respondeu: “Também não sei nada, todos os dias estamos aprendendo.”
Ela viajou para o México na festa dos 50 anos do Urasenke e retornou numa 5ª feira. Na 6ª feira ela almoçou, deitou e dormiu. Não acordou mais. Já tinha cumprido sua missão.
Quando ela faleceu, estava fazendo novamente o 1º otemae, Obondate. A vida é um círculo.
#sohotakeda #cerimoniadocha #chado #chanoyu

segunda-feira

Historico do Pavilhao Japones


O Pavilhão Japonês no Ibirapuera: um marco entre dois povos


Fonte Informativo do Arquivo Historico Municipal de Sao Paulo Ano 3 no. 18 Edicao tematica sobre 100 anos de Imigracao Japonesa


http://www.arquiamigos.org.br/info/info18/i-manu.htm



Ao lançarmos um olhar mais atento sobre o conjunto de edifícios existentes no Parque do Ibirapuera, uma grande surpresa nos é apresentada. Nesta área, onde o modernismo das décadas de 1950 e 1960 se faz presente com toda a sua grandeza, uma obra em especial se destaca, tendo em vista a sua simpática discrepância. Trata-se do Pavilhão Japonês, edifício contemporâneo aos demais ali presentes, posto que construído na mesma época em que todo o parque estava sendo implementado.

Além desse aspecto, o inusitado se faz presente sob outro ponto de vista, ou seja, por que apenas um Pavilhão Japonês, isolado e desacompanhado de similares como um pavilhão italiano, um espanhol ou um português, por exemplo? Em outras palavras, por que este exemplar único naquele cenário?

De fato – e aqui abusando do direito de conjeturar –, caso o Pavilhão Japonês não tivesse sido construído há 54 anos atrás, hoje dificilmente ele o seria, ou pelo menos não no Parque do Ibirapuera. Entretanto, lá ele se encontra, majestoso, como que a desafiar o seu entorno e sendo, ele próprio, uma grande atração e um marco de referência, seja para o parque, seja para a cidade, e mesmo para toda a nação, pois estamos diante de um monumento que consolidou, em 1954, as relações afetivas entre o Brasil e o Japão.

É certo, portanto, que foi somente numa conjuntura favorável, ou num contexto histórico único, que o projeto do Pavilhão Japonês encontrou condições propícias para sua concretização. Acompanharemos de ora em diante este processo.

Década de 1940: uma conjuntura adversa

As relações entre o Brasil e o Japão se desgastaram por conta da II Guerra Mundial. Em 1942, com a entrada do país no conflito, os laços entre as duas nações foram rompidos. Dentre os imigrantes provenientes do Eixo (Itália, Alemanha e Japão), os japoneses se tornaram um alvo fácil para constantes discriminações e cerceamentos. Era o chamado perigo amarelo, este repercutido em artigos pela imprensa.

Colaborando com esta situação de animosidade estavam, também, algumas características marcantes da primeira geração de imigrantes japoneses que vieram para o Brasil, quais sejam a de cultivar seus valores e tradições em solo estrangeiro, bem como uma peculiar compleição que se traduziam, pelo menos no entender de grande parte da população, numa falta de integração na comunidade. Por certo que na raiz desse problema mais pesavam as fortes diferenças entre as duas culturas: a brasileira e a japonesa, com língua e costumes bastante distintos.

Entretanto, com o término da guerra teve início um período de distensão, este coroado com o reatamento das relações diplomáticas a partir da assinatura do Tratado de São Francisco, no dia 28 de abril de 1952.